O asfalto de Morrinhos sob o julgamento das águas e das rodas de conversa
Com a expectativa de que o rigor das chuvas comece a diminuir nas próximas semanas, a prefeitura planeja a transição do reparo emergencial para a recuperação definitiva

Nas padarias, nas portas de escolas e nas redes sociais, o assunto em Morrinhos é um só: a geografia acidentada que o asfalto assumiu neste mês de fevereiro. Não há quem saia de casa sem traçar uma rota mental para desviar das armadilhas que as chuvas constantes camuflam sob as poças d’água. O buraco na porta de casa ou na avenida principal tornou-se o personagem indesejado das rodas de conversa, gerando um mal-estar legítimo em uma população que se acostumou a ver a cidade como o orgulho do Sul de Goiás. Essa "malha de retalhos" que hoje fere o visual urbano e a segurança dos motociclistas é a prova de que a paciência do morrinhense tem limites, especialmente quando o prejuízo mecânico bate à porta antes mesmo da fatura do IPTU.
No entanto, por trás do asfalto que esfarela sob as águas, existe uma realidade técnica que o pragmatismo da atual gestão não tenta esconder. O prefeito Maycllyn Carreiro tem sido enfático ao dar nome ao culpado: o "asfalto velho". Trata-se de uma estrutura que, por anos, recebeu apenas maquiagens paliativas e que agora, diante de um solo encharcado, revela o cansaço de décadas sem manutenção estrutural. O "asfalto velho", como define o prefeito, é parte de uma malha que apresenta desgaste estrutural acumulado ao longo de anos sem recapeamento integral.É uma justificativa que encontra eco na lógica da engenharia, pois não há remendo que segure uma base que já perdeu sua capacidade de drenagem e sustentação.
Com a expectativa de que o rigor das chuvas comece a diminuir nas próximas semanas, a prefeitura planeja a transição do reparo emergencial para a recuperação definitiva. Maycllyn defende que a estratégia de não manter equipes em campo durante os temporais mais fortes visou evitar o que ele classifica como desperdício de dinheiro público, sob o argumento de que a massa asfáltica não ganha aderência em solo encharcado e o serviço seria perdido. Na visão do gestor, a estabilização do tempo permitirá que as frentes de trabalho avancem com maior eficácia, focando na durabilidade do material aplicado.
Para sustentar esse avanço no período de estiagem, a administração apresenta dados sobre o fôlego financeiro do município: um aporte de R$5 milhões garantido em caixa e a meta de atingir 360 mil metros quadrados de recuperação asfáltica até o final de abril. O investimento é uma resposta técnica necessária ao cenário de segurança viária da cidade. Conforme dados da Superintendência Municipal de Trânsito (SMT) publicados na edição anterior deste jornal, quase 100% dos acidentes com vítimas em Morrinhos envolvem motociclistas, o grupo mais vulnerável às irregularidades do pavimento. Atualmente, com a aprovação popular em 71,89%, segundo o instituto Goiás Pesquisas, a gestão de Maycllyn Carreiro encara o desafio de provar que a eficiência fiscal celebrada no papel será capaz de entregar, na prática, um asfalto que resista aos próximos verões.


